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Como a engenharia econômica guia os investimentos?

A palavra investimento é um tanto genérica, pois a forma que podemos realizar um investimento (obras de arte, títulos, ouro, ações, planta industrial etc.) é muito ampla. Entre a decisão e o investimento, efetivamente, realizado existe um caminho muito pedregoso, complexo e desconexo com a realidade da pessoa.

Investimento muita vezes é um termo um tanto lúdico, pois aquele que se propõe em realizar um, automaticamente, cria um gatilho mental que o lucro deverá ser certo, é somente uma questão de tempo. Talvez na economia financeira, expressão utilizada em operações fora do mercado de produtos e serviços, com a informação correta e um pouco de sorte, investimentos em ações, títulos, debêntures, moeda estrangeira, juros, etc., o ganho será certo e lucrativo.

No entanto, este texto é direcionado ao empreendedor iniciante, ao pequeno e médio empresário que se encontra com suas operações em pleno vapor. Quando falo em investimento, quero destacar o mercado real onde são negociados os produtos e serviços efetivos, que afetam a vida das pessoas. O termo correto é “formação bruta de capital”, ou seja, o investimento que transforma ou amplia a capacidade produtiva das empresas (máquinas, equipamentos, edifícios, etc).

A Engenharia Econômica é uma ferramenta de decisão, que pode ser utilizada em conjunto com a Gestão de Custos, para a escolha do investimento que implicará na melhora ou piora da produção/operações da empresa. Ou seja, se aquela máquina adquirida será capaz de gerar produtos que, através de um planejamento adequado de custos e preços, irá remunerar corretamente o empresário, sem incorrer em dívidas mal estruturadas e falta de caixa.

Agora, antes de prosseguir com a conceituação de engenharia econômica gostaria de reafirmar um ponto, que é jogado no limbo, que é uma definição muito simples e direta do Empresário. Recorro ao Artigo 966, do Código Civil, transcrevo abaixo:

“Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de mercadorias e serviços”.

De outra maneira simples e singular, com apoio do texto acima, afirmo que o empresário é a pessoa que assume riscos para a produção e/ou circulação de produtos e serviços.

A engenharia econômica é uma ferramenta que ajuda a identificar e a diminuir possíveis riscos em projetos de investimentos, tal como a aquisição de novas máquinas, a ampliação de uma fábrica, a construção de uma nova fábrica e outros investimentos que impliquem na capacidade produtiva do negócio. É preciso entender que o risco é algo presente no dia a dia. Para ser mais especifico desde a pré-história, é uma variável inerente a todo, e qualquer, processo que se inicia em uma empresa, na vida.

Quando o empresário decide entrar em um determinado mercado, ele espera duas coisas:

  1. que o produto já existente continue a render um bom retorno, que na média esta sendo bom para todos os participantes,
  2. ou ele espera que aquele novo produto, a ser ofertado, apresente um ótimo crescimento nas vendas.

Por isso foi dito que o empresário assume riscos, a ideia de risco é associada à chance de não ocorrer o resultado esperado.

Existe uma expressão muito sensata, atribuída ao grande economista Milton Friedman, que diz que: “não existe almoço grátis”. Isto corrobora que para qualquer decisão de investimento, um determinado preço deverá ser pago, o empresário, revestido com a dose certa de coerência, no decorrer de suas atividades, terá em mente que para obter um retorno sobre o investimento é preciso se expor a algum risco.

Até aqui o que tem haver investimento em capital produtivo, engenharia econômica e risco?

Para dar uma maior solidez, risco é um custo presente em qualquer projeto, e deve ser entendido como a quantidade de incerteza associada aos retornos de caixa (“o caixa importa”) esperados de um projeto de investimento.  A engenharia econômica é um conjunto é um conjunto de técnica de análise de investimento, que traz à luz respostas para questões importantes:

  • Por que devemos realizar o investimento?
  • Deve se fazer tal investimento ou adiar?
  • Qual a melhor forma de realizar o investimento?

Propõe alternativas factíveis ao projeto com o intuito de diminuir os riscos. Com isso, a engenharia econômica é uma ferramenta útil para quando houver a necessidade de realizar um investimento, seja feita uma avaliação criteriosa de todo o cenário que visa a busca da criação de valor, e que o valor investido seja recuperado com o acréscimo de algum lucro com um prazo definido.

Dessa maneira, é sempre importante que o empresário esteja ciente que o investimento é retirar dinheiro do caixa ou recorrer ao endividamento, para aplicar em um projeto de aquisição, implantação, expansão e outros que se espera obter algum ganho líquido (livre de impostos e demais despesas).

Decisões tomadas hoje, com a ajuda de um “olhômetro“, cartas, astrologia e outras técnicas mirabolantes baseadas muitas vezes em borra de café no fundo da xícara, podem afetar, drasticamente, o futuro da empresa. Mais uma vez: o caixa é a coluna vertebral do negócio, falta de caixa leva empresas à falência, dito isto decisões erradas de investimentos sem base em um lastro técnico trazem consequências ruins.

Construa seu negócio em bases sólidas, investimentos bem planejados e com apoio técnico. Gostaria de conhecer mais sobre o assunto, nos escreva aqui!

Qual a importância da gestão de custos para o meu negócio?

O fechamento das empresas é facilmente explicado pela falta de caixa, ou seja, pela falta de dinheiro para financiar suas atividades.

Uma Gestão de Custos adequada traz informações importantes para o planejamento e execução das atividades, com a preservação segura do fluxo de caixa da empresa. Um detalhamento adequado e racional da estrutura de custos tem um impacto positivo sobre a escolha do Preço, do produto ou serviço a ser comercializado, e com isso contribui para uma boa previsão do quanto a empresa precisa faturar para se manter viva.

Uma eficiente Gestão de Custos ajuda a definir alguns pontos importantes, vou destacar aqui 3 deles:

  1. Mercado é um local onde vendedores e compradores interagem. Haverá equilíbrio quando o preço e a quantidade sustentar a vontade de ambos os agentes. Com isso, é necessário entender que há uma sutil diferença entre preço e valor. Preço é uma função de custos (ou custos também pode ser uma função do preço). Enquanto valor é uma medida subjetiva, é uma medida pessoal. Pois, o valor de um produto pode haver concordância entre as partes, mas a restrição orçamentária do comprador pode não efetivar a transação. Dessa maneira, não adianta incorrer em elevados custos para produzir algo, pensando somente no valor que é diferente para cada consumidor. As pessoas não vão comprar um produto ou serviço pelo simples fato de você acreditar que o seu valor é o seu preço.
  2. Fluxo de caixa, uma medida fatal para os negócios. Ela tem tudo haver com o financiamento das suas operações, vivemos em um mundo onde os insumos são negociados com um crédito, para posterior pagamento, e muitas vezes o pagamento destes insumos são efetuados antes do fechamento do faturamento. Ou seja, as despesas são pagas antes da realização das receitas. Mais uma vez, se você incorrer em altos gastos de produção, sem um planejamento e controle adequado dos mesmos poderá queimar seu caixa, aqui também cabe a leitura do famoso “Capital de Giro”, e viver no fio da navalha.
  3. Preço à vista difere de preço a prazo, quando o assunto é custos. Pense nas operações de um supermercado, poucas tem essa semelhança. No supermercado você contrai um débito com o fornecedor para pagamento posterior, coloca seu preço na prateleira e quando vende tal produto, a venda, na maioria das vezes é à vista. Então você consegue pagar todos os gastos de operações antes de pagar o fornecedor. O que proporciona um controle maior. Mas, nem todos os negócios são assim. Muitos você vende a prazo, paga o fornecedor antes, vem às despesas operacionais, e depois haverá o recebimento do seu comprador. Caso você não tenha a percepção que custos crescem com a produção. Se você aumentar seus custos de produção para entregar uma encomenda grande isso não causará aumento de produtividade, apenas comprometerá seu caixa.

Os três pontos acima são vetores de um universo muito maior, quando não há compromisso com uma qualificada Gestão de Custos. Um descontrole no planejamento e gestão dos gastos (custos e despesas) acarreta em perdas significativas, financiamento com juros elevados para tapar rombos no caixa, dívidas desnecessárias, funcionários insatisfeitos, baixa produtividade, etc.

O trabalho desenvolvido pelo THX Gestão Financeira procura diagnosticar se o preço cobrado se adequa a estrutura de custos, que é originada na formação da empresa. Quando os acionistas decidem montar um negócio, monta-se uma estrutura de capital, que pode ser de capital próprio ou de terceiros. E o que mantem essa estrutura de pé e fortalece o seu crescimento é o preço praticado no mercado.

Muitos empresários pensam que vendas altas é significado de um negócio rentável e lucrativo quando não sabem que pagarão um preço alto pela elevação dos custos. Há uma reação em cadeia quando se aumentam as vendas, pois ocorrerá em aumento da produção, aumento de horas extras ou novas contratações, aumento de dívidas com fornecedor, uso de recursos do caixa etc. Todos esses aumentos podem ocasionar um empate entre o faturamento e os gastos.

O empresário se atém muito no faturamento, pensa que é uma medida saudável, mas não é. A medida essencial para o negócio é a percepção de que quando se aumenta a produção, com os custos se comportam com este crescimento. A Gestão de Custos desenha um mapa para a orientação do aumento das vendas sem comprometer a estrutura de custos. Caso sejam realizados novos investimentos em tecnologia que tais não acarretem em um desnecessário endividamento e falta de caixa, isto é, não ocorra perda de liquidez para compromissos do dia a dia.

Na bíblia existe uma passagem interessante, que transcrevo abaixo:

Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?
Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele,
Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.
Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?
Lucas 14:28-31

A Gestão de Custos é uma ferramenta importante para não se comprometer com o “endividamento burro”. É uma ferramenta necessária para o planejamento e prospecção de como os custos irão se comportar no avanço do empreendimento. Uma ferramenta que providenciará respostas de quanto é necessário ter em caixa para acabar ou dar continuidade a um projeto.

Ajuda a entender como são feitos os investimentos em estoque, gastos com pessoas e se os processos alcançam a produtividade necessária para a manutenção da estrutura de custos (capital, pessoas e operações).

É necessário se prover de capital de terceiros para o desenvolvimento do negócio, como exemplo a compra faturada de insumos, ou seja, o endividamento é importante para o crescimento econômico da empresa. Até que ponto o crescimento do faturamento é devido ao crescimento da produtividade ou do endividamento da empresa? Fica aqui meu convite a sua reflexão